domingo, 11 de dezembro de 2011

.de kababs à lagrimas.

Era verão, era Amsterdam, era noite, não tinha uma esquina daquela cidade que não inspirasse alegria, pessoas nas ruas, cantoria e tanta música, já havíamos parado em uns três bares diferentes, fiz todo mundo entrar em um só porque estava tocando Beatles e assim íamos de esquina em esquina, bar em bar, canal em canal, já nada mais sobríos como no inicio.
De repente aquela fome, decidimos parar em uma kebaberia pra variar, foi quando tive o ímpeto de começar um dialogo pessoal com o senhor que preparava nossos kebabs.
- O senhor é de onde?
- Palestina. - falou sem me olhar muito nos olhos, concentrado na feitura dos lanches árabes.
- Palestina, esta aqui há quanto tempo ?
- Muitos anos moça, muitos anos.
- Eu sou do Brasil, estou aqui há apenas 8 meses e sinto tanta saudade de tanta coisa da minha terra, você não sente da sua ?
- Sinto muita, muita mesma, mas o que fazer lá, não tenho nada a fazer lá.
- Por que senhor?
- Todos meus três filhos e minha esposa morreram na guerra, não tenho mais nada na Palestina, nada.

Eu senti como vontade de vomitar, uma forte dor no peito, não disse mais nada, precisava de ár, sai da kebaberia, me recostei na parede e de mãos no joelho as lágrimas começaram a brotar uma a uma e borrou toda a alegria de Amsterdam.

Obrigada Brasil, por ainda me dar tanto o que fazer.