segunda-feira, 11 de julho de 2011

.tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Leia ouvindo - Sigur Ros - Hljomalin
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Lembro que no inicio de minha vida holandesa, quando invadi a vida daquelas duas meninas louras e elas a minha, e tivemos que conviver debaixo do mesmo teto da noite pro dia, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, eu então me perguntava quando iríamos nos amar, quando eu as cativaria e quando elas cativariam a mim, eu sabia que até um certo ponto eu poderia partir sem causar danos, nem do meu lado nem no delas, mas foi com o desenrolar dos dias que notei que o amor entre nós ia crescendo tão bonito quanto flor selvagem no campo e tão assustador quanto sede em dias de seca.
Lembro do primeiro convite pra ir brincar junto, do primeiro abraço acanhado até os selinhos fraternais, e as lambidas de saudades em minhas bochechas quando eu voltava das viagens de feriado.
É uma lembrança viva o dia que tive certeza de ter cativado a menina mais nova, foi quando esta caiu violentamente da bicicleta e foi arremessada contra o asfalto, chorava muito quando a levantei e ao invés de apenas chorar e ficar parada estática como fazia antes, resolveu me abraçar com muita, muita força a busca de conforto, eu cerrei os olhos, como se tentasse fazer com que tudo aquilo que meu coração sentia fizesse sua dor passar mesmo. A mais velha começou a dormir quando tinha medo somente quando eu cantava pra ela ou quando ficávamos de mãos dadas por um bom tempo.
No final a gente sempre ria de tudo, dos dias de tombos e de medo.
E no inicio a ideia era viajar pela Europa de forma barata e pra isso ter que cuidar de criança, e ao fim eu cuidei de criança, eu as amei incondicionalmente, e então viajei pela Europa.
Aí como eu tinha vontade de cuspir naquele menino que atropelou a Amber de bicicleta de propósito, ou puxar com força os cabelos daquela menina que destrava da Hanna sempre.
Lembrei do meu pai todas as vezes.


Aniversário Hanna 

domingo, 29 de maio de 2011

.quartas de final, amor em tempos de copa.

Leia ao som do Hino do Brasil por Olodum
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Eu nunca fui fã de futebol, não sei, apenas não rolou, na infância porem amava assistir a copa do mundo, vibrar com toda vizinhança, toda aquela coisa mãe, pai, avô, avó, tia, papagaio e cachorro juntos vibrando na frente de uma televisão. Na adolescência rebelde (sem causa) fiz questão de odiar tudo isso, e depois apenas fiquei assim, normal, era mais uma copa, eram mais muitos folgos, era o Brasil como eu já o conhecia tão bem.
Foi aí que percebi que naquele meu ano holandês era ano de copa, e lá se eu não soubesse continuaria sem saber praticamente, afinal onde estavam as ruas, calçadas, muros, hidrantes, postes pintados? Onde estavam os camelos vendendo até a mãe pintada de verde e amarelo, cornetas (que viraram vuvuzelas) a cada metro quadrado ? Onde estava tudo isso? oh no.
Fiz questão de comprar pra Amber, que amava decorar todas as coisas do universo, bandeirinhas laranjas pra enfeitar a frente da casa e eu e a Hanna preenchíamos a tabela de jogos todos os dias.
Cogitavam a possibilidade da Holanda jogar contra o Brasil, mas mesmo os holandeses achavam muito difícil, afinal já eram décadas que o pais deles não passava nem da primeira fase. Eu assistia aos jogos das duas seleções, os holandeses com as crianças em casa comendo chips de paprika (meu favorito) e aos brasileiros com a comunidade brazuca em um bar no centro de Den Haag e sei lá, era muito emocionante tudo aquilo. Uma vez assisti em casa com duas amigas brasileiras, e minha hostmother disse que nunca tinha visto pessoas tão felizes com um jogo de futebol.
Estranhamente a copa tomou um curso inesperado e a Holanda iria mesmo jogar contra o Brasil, a família saiu para assistir ao jogo deles em um bar na praia e me deixaram chamar quem quisesse para assistir em casa, daquela vez não poderíamos sair nas ruas, tudo estaria laranja. Os holandas tinham pouca esperança de ganhar, senão nenhuma, e eu certa que eles não tinham que ter mesmo. Aline, uma grande amiga paulista veio me fazer companhia e enquanto nos entupíamos de cola-cola e mais chips de paprika vimos nosso pais perder para aquele que nos acolhia, lembro que nem consegui terminar de assistir a partida, fui pro quintal e deitei na grama, era um dia quente de verão holandês, depois enfiei meus pés nas águas do canal que corria no fundo da casa, nem conseguia identificar que a Holanda fazia mais gols ou não, a comemoração holandesa era tão discreta e sem vida e aquilo me irritava profundamente também. Aline veio finalmente me encontrar dando a noticia da derrota e eu inesperadamente chorei e nunca entendi ao certo o porque, ela estava com muita raiva, acho que contia lágrimas também, e eu a limpar as minhas, me deixavam a vista tão embassada, nunca tinha chorado por causa de futebol antes e nem conseguia me justificar, mas me permiti chorar, era preciso. Não era só amor pela patria em tempos de copa, era aquele amor que a gente sentia tão forte por estar tão longe refletido alí, naquela ação coletiva.
Quando as meninas chegaram em casa, estavam tão felizes com a vitoria inesperada holandesa mas fizeram de tudo para conte-la por minha causa e me abraçaram com grande ternura. "Jenny, proxima vez o Brasil ganha, veja a gente, fazia uns 40 anos que não chegavamos tão longe"
E foi por elas e com elas que eu fui assistir ao jogo holandês contra o Uruguai na praia algum tempo depois e durante toda a partida forcei uma alegria com os gols holandeses e ainda mais com a  vitoria, torcia secretamente para o Uruguai (háhá). Só que aí, quando vi as meninas cantando e dançando na areia, no fim daquele dia de verão com o céu em tons azuis e purpura, esqueci de tudo aquilo, eu tinha tido a mesma alegria na minha infância e naquele momento era tudo que queria dar pra elas, aquela alegria pueril de jogos de copa.


A Holanda perdeu na noite que tínhamos nos separado para as viagens de verão, eu estava em um avião em direção a Islândia e elas na Áustria com os pais. Todo aquele mês que havíamos acompanhado os jogos, decorado a casa, comprado figurinhas e álbuns acabava ali e nunca mais tocamos no assunto.


Porem, aquelas lágrimas, aquela amiga partilhando a mesma alegria, a mesma dor e o céu em tons de azul e purpura com aquele canto de crianças felizes eu nunca esqueci, nunca mesmo.


Eu e Aline, no famoso Fiddlers para o jogo do Brasil x Costa do Marfim (acho rs)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

.mistério do planeta.





leia ouvindo Mistério do Planeta - Novos Baianos


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Sylvie disse:
- Você não quer subir hoje anoite pras montanhas menina? Já está todo mundo lá !!
- Ah okay, estou um pouco cansada da viagem mas tudo bem, porque não?
Estávamos na casa de seus pais, no pequeno vilarejo de Kayserberg, Alsace, França. Grandes amigos dela nos esperavam em uma cabana no topo de uma montanha entre a França e a Suíça para a celebração do ano novo, era dia 30, eu tinha acabado de chegar de quatro dias em Paris, e ela estava inquieta, não queria mais esperar, nem o amanhecer nem nada, e eu maluca que sou, topei sem questionar muito.
Fazia uns -5 lá fora e começamos a subir de carro as montanhas, cada quilometro percorrido os graus iam baixando, chegou um momento que de carro não era mais possível, então descemos e descemos todas as mil coisas que Sylvie queria carregar lá pra cima junto com a gente, bebidas, comida de ano novo e tudo mais, e eu ainda pensando que a cabana era só alguns metros dali.
NOT. A cabana era a a sei lá uns 700 metros dali em ascendência constante, tínhamos quilos de coisa pra subir e um frio já beirando os -15, uma lanterna que funcionava a base de energia da força humana, um trenó onde colocamos as coisas e aparatos de fazer esqui. Naquele momento eu queria matar a Sylvie, mas jamais o faria porque a amo muito então a solução foi rir e contemplar o céu estrelado. Como nossa garrafa d'agua deslizou do trenó e se perdeu, quando batia a sede o jeito era apanhar neve e deixar ela derreter na boca.
Depois de uns 10 minutos ou mais de caminhada, quando já estávamos cogitando a possibilidade de enterrarmos as comidas e vinhos na neve para buscar ao amanhecer, dois meninos do grupo vieram ao nosso encontro para ajudar e lá fomos nos, foram mais uns 20 minutos de subida, e lá em cima a neve estava tão densa e alta que metade da perna as vezes se afundava, e teve até um penhasco assustador, até hoje não entendi ao certo do porque a ideia de fazer a subida tão tarde, coisas de Sylvie que no fim são sempre divertidas.
Nunca me arrependi de ter subido as montanhas, foram tres dias em um lugar que ao amanhecer parecia que estávamos acima do céu, as nuvens lá embaixo, e o sol brilhava quase sempre, nevou na descida no entanto, mas foi muito bonito. Lá em cima gente de dois lados totalmente opostos da França, alsacianos e bretões e uma brasileira, que apartir de algumas horas tinham virado companheiros, dividíamos as refeições e tudo. Gente muito única, como um moço que trabalhava ensinando presidiários a cultivarem seus próprios legumes e outras singularidades assim.
Em uma manhã caminhei horas ouvindo Novos Baianos, meu olhos já mal conseguiam absorver tanta neve e tanta beleza, tanta paz, os raios de sol entre as arvores, e a musica me dava toda essa sensação paradoxal e estar alí, lembrando das ruas da minha cidade brasileira. Era terno.


Sylvie estava muito preocupada quando voltei, acreditando que eu tinha caido de um penhasco e morrido, na mesma tarde uma amiga dela que chegou me perguntou "Ah você é a irmãzinha da Sylvie certo?"


E mesmo que o jantar de ano novo tenha sido rã ao molho e o chuveiro da cabana ficar em uma área que não tinha NENHUM tipo de aquecimento, eu estava feliz, eu estava feliz demais. 



Saudades dessas famílias espalhadas pelo mundo.





Vou mostrando como sou e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos, e pela lei natural dos encontros eu deixo e recebo um tanto...


Vista da Cabana

Jantar de Ano Novo


sábado, 30 de abril de 2011

.um segundo para o fim do mundo.





Leia ao som de Heads Up - Karen O and the Kids


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- Posso deixar a Amber em casa sozinha enquanto busco a Hanna no ballet hoje?
- Até daria Jenny, mas estaremos do outro lado do país, se acontecer algo com você, não teremos como ajudar vocês- respondeu-me ela com preocupação, tinha sempre muito receio em dizer não aos meus pedidos.
- Ah mas não vai acontecer nada - respondi com descrença de ser possível acontecer algo, afinal já eram onze meses e nenhum acidente, veja bem vocês.
De toda forma acharam melhor que eu não deixasse ninguém em casa, primeiro eu precisava buscar Amber na aula de desenho e depois Hanna no ballet, e tudo isso naquela bicicleta esperta, com caixote na frente, a famosa bakfiet.
E lá fui eu, era um dia ensolarado de outono, um pouco frio, coloquei uma musica marota e fui cantando, feliz, despreocupada, já tão habituada ao caminho, minhas pernas me levavam, a mente podia ir a qualquer canto, assim eu acreditava, até então.
Fiz meu caminho favorito, pela rua de casas ponteadas (foto) e a beleza do dia me deu vontade de cantar e cantar, chegou então a hora de virar, porem virei com muita velocidade e só com uma mão na direção, a bike pendeu pra um lado e eu perdi o controle da mesma, fui com certa velocidade em direção a um carro que vinha na direção contraria, afinal a bike foi, com vontade própria pra mão errada, e eu fui gritando ahhh, e aconteceu todas aquelas coisas né, que acontecem quando você visualiza sua morte, a vida passa toda diante dos olhos e tudo mais em questões de um segundo, e eu não aceitei a realidade e joguei a bicicleta pra calçada, que bateu com força na guia, quase subiu, mas não deu, ao invés, foi direcionada para a mão certa, o carro já tinha parado no meio da avenida, ufaaaa, foi um alívio, recobrei os sentidos e agradeci cem mil e quinhentas vezes pela vida e por todos os ossos intactos naquela hora.
Segundos depois não consigo mais pedalar, pneu da frente furado. FAIL. Tive que arrastar a bicicleta até o centro cultural onde Amber tinha aulas de desenho, fechei ela na corrente (a bike) e fui atras de conseguir alguem que pudesse me ajudar. Encontrei uma mãe bondosa, mas que não falava nenhum inglês "vamos lá holandês, chegou tua hora" e foi assim, que consegui que ela levasse a Amber até a escola de ballet, o carro já estava cheio, e fui andando todo caminho, trinta gorgeous minutos, mas nem liguei, sinceramente, fazia o fim de tarde mais bonito de toda minha estadia, tons em cortes em laranja e rosa no céu azulado, e caminhando pude visualizar tudo isso com mais calma, faltava só um mes para o fim, e fui me despedindo assim, com calma do caminho tão habitual, mas tão efêmero.
Na escola de ballet, eu, Amber e Hanna juntas, conseguimos uma nova carona, dessa vez pra casa, com um outro pai muito bondoso. Em casa jantamos juntas e rimos e papeamos com aquela cumplicidade verdadeira que eu só conseguia ter com elas, as coloquei pra dormir, e toda aquela energia, naquele ponto já não me era nada ruim, só divertido, só antecipadamente nostalgico.
Nunca contei pra ninguem do quase acidente.


Afinal nunca havia acontecido nada de verdadeiramente ruim.

domingo, 24 de abril de 2011

.zdravo!.


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Era uma rua tão estreita, no lado turco da cidade, nada longa e até hoje ainda me pego pensando em quantos universos ela era separada.
O primeiro barracão que Dominique me levara, ainda herança do terremoto de 63, abrigava a sede da escola de danças folclóricas macedônias. 
Fomos muito bem recebidos, Dominique era muito influente nos meio culturais e socio-politicos de Skopje, e logo fomos afetuosamente convidados para assistir ao ensaio que a pouco começara.
Uma banda marota tocava as canções todas ao vivo, canções que cerca de quarenta homens e quarenta mulheres cantavam com uma força que fazia o coração bater mais forte, e com passos de danças ensaiados que me prenderam o olhar, não conseguia desviar, principalmente quando os homens pulavam muito alto e rodopiavam e pulavam novamente e cantavam com uma precisão fascinante.
Cantavam musicas em principal em idioma macedonio, por vezes albanês e até mesmo em linguagem roma. O mestre, um senhor de cabelo ralo, era rigido ao mesmo tempo que era terno e paternal, sorria em nossa direção com freqüência, um sorriso extremamente acolhedor e modesto.
Logo depois do ensaio macedonio, saimos e paramos no barracão ao lado, era o ensaio de dança das crianças turcas, não tinham uma banda, tinham um aspecto mais simples e fizeram questão de mostrar a estrangeira que vinha de tão longe sua dança mais bonita, toda cantada em árabe com dança sutil e leveza de mãos, uma criança linda não me desviava o olhar curioso, e não pode entender nada do que eu disse naquela noite de lua tão cheia e sincera na capital da Macedônia. Deixei a rua, onde tantos conflitos étnicos e morais coexistiam, aparentemente em paz, atraves das canções.
Era hora de voltar pra casa, eu sempre cumprimentava os taxistas em seu idioma, e isso me reservava uma alegria muito singela e particular.
Em casa, eu e Dominique tomamos sopa de abóbora e algumas boas doses de rakia, a bebida alcoólica mais popular dos balcãs, conversamos sobre a vida, sobre paixões, amores, e ela tinha tantas historias incríveis, que eu deveria ter gravado tudo para fazer um filme um dia.
Nunca vi 65 anos mais cheios de plena juventude como os anos de Dominique, dentro de sua sala ornada pelas aquarelas que fazia diariamente seu pai, nunca vi tanta intensidade dentro de olhos cansados por um corpo frágil, nas entrelinhas das saudades, nas dores das despedidas, de tantos homens, tantas mulheres e tantas linhas escritas pro infinito.
Daquele papo nascia uma cumplicidade que eu mesma nunca ousei tentar verbalizar até agora, em nossos olhos refletiam tantas inquietações comuns, tantos abraços partidos e sonhos, naquela noite, soprando pelos ventos balcânicos.


Foram apenas três dias, mas a melancolia do adeus foi assustadoramente verdadeira.




Skopje, lado turco, outono 2010

segunda-feira, 11 de abril de 2011

.I wanna make it good.

(Leia ao som de Kinderen voor Kinderen - Elsje)


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Era uma noite de sabado, e eu estava com elas enquanto os pais se divertiam em alguma festa de gala pelo país. 
Não me incomodava muito, as crianças holandesas dormiam demasiadamente cedo e eu ficava assistindo filme tranqüila o resto da noite e economizando uma grana pra próxima viagem, só tinha que ativar aquele alarme idiota, checar as trezentas janelas e depois tudo bem, sem contar as noites que Kelsey vinha me fazer companhia nas sessões de cinema em casa, com chá quentinho e croissants do Albert Hein, não havia lugar melhor no mundo, especialmente no inverno.
O momento mais critico no entanto era coloca-las pra dormir, a energia não cessava, às vezes tinha vontade de golpea-las no estômago pra ver se ajudava, mas se nem tapinha de leve podia dar, quem dera um golpe no estômago, a regra sempre havia sido muito clara "faça de tudo para controla-las mas NUNCA use violência física" e aquilo martelava na minha cabeça, toda vez que sentia estar a ponto de estrangula-las ou coisa assim.
Mas segui a regra da boa vizinhança dos monstros do playcenter "não toque neles e eles não tocaram em você" e enquanto elas, em seus dias de monstras, não me tocassem eu sabia que teria forças pra não toca-las.
Mas naquela noite algo saiu errado.
- Quem colocar o pijama primeiro eu escovo o dente primeiro !!!
Elas tinham uma eterna briga dos diachos para ver quem escovaria os dentes primeiro, na verdade era uma merda  ainda termos que escovar os dentes delas, sempre quis mandar pros infernos o dentista imbecil que mandava tais instruções.
Hanna, a mais velha, foi veloz e se trocou primeiro, Amber não aceitou ter perdido, roubou-me o tubo de pasta de dente e saiu correndo gritando pelo corredor, eu fui atras gritando mais ainda
- Me dá aqui esse negocio !
- Não dou, eu vou ser primeiro !!
- Amber não vou falar de novo, me dá logo isso, Hanna já esta de pijama, você esta correndo como louca só de calça jeans !!!
- Nãããããõ - e avançada em diração ao quarto vazio dos pais.
Em um ato de desespero ranquei o tubo de pasta de sua mão, quando dominei o objeto ela me virou uma tapão no braço com toda sua força de menina holandesa e eu no reflexo virei outro tão forte no mesmo lugar, ela começou um choro gritado e doido e saiu correndo pro seu quarto, eu continuei fazendo o que ia fazer, escovar o dente da outra, ouvindo seu choro forte por muitos minutos, de coração cortado, lembrei-me do meu pai, no fundo o tapa que dei doeu tanto em mim quanto nela, no fim acho que tinha era levado dois tapas.
- Jenny, eu quero fazer as pazes (I wanna make it good, em seu ingles tão seu) - veio ela até mim depois de chorar muito, me dando a mão para conversarmos, conversamos e choramos juntas no ombro uma da outra, me restavam somente quatro meses e o medo da separação bateu forte em nossa porta pela primeira então.


Contei aos pais o que havia acontecido, com um certo receio de levar uma bronca por ter então batido em uma delas, not really.


Amber, no entanto, ficou um mês sem poder usar as botas novas.

Amber Straathof por Elton Hipolito






domingo, 10 de abril de 2011

.um minuto de escuro.

(leia ouvindo Fleet Foxes - Blue Ridge Mountains)


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Após o jantar, faltava pouco para eu ter que partir, iria naquela noite visitar outro amigo do outro lado da cidade.
Ele queria revelar um dos seus rolos de filme fotográfico, ouvíamos Fleet Foxes, ou qualquer coisa muito bonita, chez lui, as musicas eram sempre bonitas.
Andava pra um lado e pro outro arrumando os utensílios que precisaria para iniciar o processo de revelação, teve dificuldade em saber qual era o rolo certo a revelar, andando pra lá e pra cá, já me avisava que por um tempo tudo teria que ficar muito escuro, eu permanecia sentada, revelando aqueles meu últimos momentos ao lado dele por um bom tempo.
Tudo estava pronto, os minutos de escuro logo viriam, já estava me preparando para ficar naquele sofa sozinha enquanto ele se esconderia no cômodo mais sem iluminação da casa; o banheiro. Foi quando ele disse:
- Vamos comigo?
Em um pulo tímido decidi acompanha-lo, o segui enquanto apagava todos as lampâdas e luminárias do pequeno apartamento.
Ao chegarmos no banheiro ele disse:
- Esta pronta ? Eu tenho 1 minuto pra conseguir fazer tudo que preciso e teremos que ficar debaixo desse cobertor, para ter certeza que nenhuma luz ira afetar o filme, pronta?
Eu olhava pra ele muito atenta, guardando cada frame com uma preocupação absurda dentro da memória:
- Parece que iremos viajar no tempo com esse seu jeito de falar.
- Vamos então? Fique aqui deste lado, contarei até três... um, dois, três. - elr geralmente comprava todas as minhas viagens de forma tão natural.
E foi um minuto de escuro, uma viagem no tempo imaginaria, só o som do filme sendo manipulado as cegas, onde muitas fotografias mentais daquela minha vida até alí me atacaram abruptamente.


Voltou-se a luz, e pouco depois eu tinha mesmo de partir, ele agora tinha que virar o filme à cada trinta segundos no balcão da cozinha.
- Você só terá 30 segundos para me dar um abraço de despedida. - disse ele com sorriso largo.
E eu fui rindo me despedir.


Foram um dos últimos abraços.


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Paris, winter '10


Paris, inverno 2010, uma festa em algum canto da cidade.